As virtudes eternas

05-08-2012 12:23

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Caruso Samel 

Para darmos início a este importante tema, de profunda transcendentalidade, vinculado à moral e ao valor, procuramos, inicialmente, nos valer do dicionário Aurélio, que nos ensina o seguinte:

Virtude. 1. Disposição firme e constante para a prática do bem. 2. Boa qualidade moral; força moral; valor. 3. Ato virtuoso. 4. Castidade, pureza. 5. Modo austero de vida, e muitos outros significados que fogem ao contexto. Interessante será assinalar que, no plural, temos uma definição mais filosófico-espiritualista: Virtudes. Disposições constantes do espírito, às quais, por um esforço da vontade, inclinam à prática do bem. Acrescentamos, nesta pequena introdução, que às virtudes se opõem os vícios de caráter.

Fica claro, então, que a virtude é o hábito de bem se conduzir com a prática de boas ações. É ela que nos impulsiona para o cumprimento de nossos deveres. O homem de caráter é virtuoso. De outro lado, o caráter é a “ficha” ou “impressão digital” espiritual do homem, isto é, o “feitio”, a “impressão” moral da criatura. Por ele o indivíduo “imprime” a sua “marca” durante toda a sua trajetória evolutiva.
Enfim, a virtude é a vontade fortemente educada e aplicada para fazer somente o Bem e rejeitar o Mal. Assim, o principal fundamento para buscarmos o crescimento das virtudes em nosso dia-a-dia é a fortificação da vontade para praticar o bem, conforme estabelece uma de nossas irradiações. Sempre que perseguirmos esse objetivo de forma constante e firme, estaremos desfrutando de uma boa assistência astral e, portanto, evoluindo.

Conceituado o que é virtude e o que são virtudes, compete-nos o dever de examinar se podemos alcançar algumas virtudes aqui na Terra, ainda que sejam em seu estado embrionário ou relativo. Isso porque, não havendo perfeição moral neste planeta-escola, é lícito esperar-se que não existam também virtudes absolutas. Esta afirmação, porém, não exclui, de forma alguma, as imensas possibilidades e oportunidades de evolução oferecidas ao ser humano durante a sua trajetória evolutiva.

Realizadas algumas conquistas de aquisição de virtudes relativas, este processo continua nos mundos astrais superiores com a evolução dos espíritos do Astral Superior em plano astral, agora já consolidando os atributos virtuosos em forma absoluta, em que a prática do Bem Supremo é um dos objetivos desses espíritos, como já ensinava Hermes Trismegisto há mais de 3 mil anos, no Egito.

Eis aqui como idealizamos os passos que nos levam dos bons sentimentos às virtudes absolutas. Esses, os bons sentimentos, os sentimentos positivos, são desenvolvidos e depurados aqui mesmo na Terra, por nós, espíritos encarnados, e “evoluem” até se tornarem virtudes relativas, formadoras do bom caráter das criaturas. Virtudes relativas, porque na Terra não existe perfeição, nem mesmo na última encarnação do espírito. Ao desencarnar pela última vez, o espírito que retorna ao seu mundo de estágio vai galgar outras etapas de evolução nos estágios seguintes – aqueles percorridos pelos espíritos da Plêiade do Astral Superior, etapas em que, então, e só então, conquistam as virtudes essenciais absolutas para aplicá-las a seu serviço e em prol da evolução da humanidade.

Em favor dessa afirmação – as virtudes relativas são formadas aqui na Terra – dirigimos a atenção dos leitores para o que afirma o RC44 em várias partes de seu texto, principalmente no capítulo 14 – Caráter –, de onde destacamos o seguinte trecho (página 131, primeiro parágrafo): “O caráter do ser humano é representado pelas qualidades morais, em que se destacam as virtudes e o conjunto de valores espirituais conquistados paulatinamente no decorrer de múltiplas existências. Esse valioso atributo expressa o nível de espiritualidade da pessoa, que pode ser aferido pela firmeza e retidão com que procede em seus atos cotidianos.” Aqui está o vínculo bem claro entre caráter, virtudes e valores espirituais.

E mais adiante, nesse mesmo capítulo 14, página 132, segundo parágrafo, encontra-se a seguinte relação de virtudes, que transcrevemos: “O critério, a equidade, o bom senso, a pontualidade, a lealdade, a harmonia, a coragem, a retidão, o bom humor, a dignidade, a gratidão, a polidez, a fidelidade, o comedimento, a veracidade, o respeito próprio e pelo semelhante, bem como o zelo são virtudes que moldam e enriquecem o caráter, para as quais se volta o ser humano desejoso de conquistá-las.” Não há, pois, como não aceitar que as virtudes são desenvolvidas aqui na Terra e têm continuidade no plano astral superior.

Contrapõem-se às virtudes os vícios e maus hábitos de todas as espécies. No livro de nossa autoria, ainda no prelo, intitulado Valor dos sentimentos, dedicamos toda uma parte a um profundo exame dos sete vícios capitais ou essenciais, conhecidos popularmente como os sete pecados capitais. Portanto, observando-se os contrastes indicados no final deste artigo, fica bem claro que o ser humano deve pautar a sua vida tendo por objetivo aprimorar os bons sentimentos para alcançar as virtudes relativas ainda enquanto encarnado.

O vício é filho da insegurança, isto é, a negação das qualidades virtuosas da criatura. E, como nos tornarmos virtuosos? Em primeiro lugar, usando todos os atributos do espírito latentes em nós, em especial a nossa inteligência, para nos tornarmos senhores de nossos pensamentos, palavras e ações. Em segundo lugar, usando força de vontade firme e determinante, fundamentada em livre-arbítrio lúcido e esclarecido. Em terceiro lugar, afastando-nos da inércia e da indolência pela dedicação honesta e sadia ao trabalho. E, finalmente, embasando tudo isso, ter os ensinamentos cristãos como norma de vida, objetivando o aperfeiçoamento moral com base nos princípios do Racionalismo Cristão.

Para um perfeito entendimento da importância de buscarmos nos aperfeiçoar através das virtudes relativas, eis as sete principais virtudes e suas contrapartes viciosas:

•l Castidade (do latim, castitas), que se contrapõe à luxúria.

• Generosidade (do latim, liberalitas), que se contrapõe à avareza.

• Temperança (do latim, temperantia), que se contrapõe à gula.

• Serenidade (do latim, serenitas), que se contrapõe à ira.

• Diligência (do latim, diligentia), que se contrapõe à preguiça.

• Desapego, que se contrapõe à inveja.

• Humildade (do latim, humilitas), que se contrapõe ao orgulho ou soberba.

Sem as pôr em prática, como quase tudo, as virtudes estarão destituídas de utilidade. Por enquanto, isso basta para escudar e poder reafirmar a nossa linha de raciocínio neste artigo. 

(O autor, escritor, é militante da Filial Butantã-SP)